O congelamento de óvulos para preservação social da fertilidade cresce rápido no mundo todo. Um estudo recente acompanhou mais de 20 mil mulheres na Austrália e na Nova Zelândia por até 15 anos. Ele mostra quantas realmente voltam para usar os óvulos guardados, e quantas têm um filho depois disso. Vamos ver os números, com calma.
O que é o congelamento eletivo de óvulos?
Você estimula os ovários com hormônios, coleta os óvulos maduros e os congela para o futuro. Não existe uma doença ou urgência médica por trás dessa decisão. A ideia é guardar óvulos mais jovens para usar mais tarde, quando a fertilidade natural já tiver caído.
Quantas mulheres estão congelando óvulos?
O crescimento é expressivo. Na Austrália e na Nova Zelândia, o número de mulheres saltou de 55 em 2009 para quase 5 mil em 2023. Esse aumento gira em torno de 35% ao ano. Hoje, o congelamento de óvulos por escolha própria já representa cerca de 12% de todos os ciclos de reprodução assistida da região.
Quem costuma congelar?
A maioria das mulheres congela entre 34 e 38 anos. Quase todas ainda não tiveram filhos. A maior parte faz apenas um ciclo de coleta e guarda uma mediana de 12 óvulos.
Vale destacar um ponto importante. Calculadoras de chance de sucesso costumam recomendar pelo menos 20 óvulos para uma mulher de 33 anos ter uma chance alta de ter um filho no futuro. Na prática, o congelamento de óvulos costuma ficar abaixo desse número.
Quantas voltam para usar os óvulos?
Aqui está um dos achados mais importantes do estudo. Entre as mulheres acompanhadas por pelo menos 10 anos, pouco mais de 1 em cada 4 (27,9%) voltou para descongelar os óvulos. O tempo médio até esse retorno foi de quase 5 anos. O número sobe um pouco se você considerar qualquer tipo de retorno ao tratamento, não só o descongelamento. Ainda assim, fica abaixo da metade das mulheres.
Quando voltam, quantas têm um filho?
Entre as mulheres que descongelaram os óvulos, cerca de 1 em cada 3 (33,9%) teve pelo menos um filho. Esse número melhorou com o tempo: para descongelamentos mais recentes, entre 2019 e 2021, a taxa subiu para 37,8%. Quase metade das mulheres que voltaram usou sêmen de doador. Cerca de 4 em cada 10 estavam solteiras nesse momento.
O que influencia as chances de sucesso?
- Idade ao congelar: quanto mais jovem a mulher ao congelar, maior a chance de sucesso depois.
- Número de óvulos: quanto mais óvulos descongelados, maior a chance de um filho.
- Tempo de armazenamento: não fez diferença. Óvulos guardados por mais tempo não tiveram pior resultado.
- Idade no momento de usar os óvulos: também não influenciou o resultado, segundo o estudo. O que importa é a idade em que você congelou, não a idade em que você usa.
O que isso significa para você?
O congelamento de óvulos pode ser uma ferramenta útil. Mas os próprios autores do estudo alertam: ele não é um “seguro” com resultado garantido. Menos da metade das mulheres volta para usar os óvulos dentro do período estudado. Entre as que voltam, cerca de 1 em cada 3 tem um filho.
Esses números não devem desanimar quem está pensando em congelar. Eles servem para ajustar expectativas antes da decisão. Congelar mais cedo e reunir um número adequado de óvulos aumenta as chances. Converse com seu médico sobre sua idade e sua reserva ovariana. Pergunte também quantos óvulos fazem sentido para o seu caso. Essa conversa é o melhor caminho para decidir com informação real.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação médica individualizada.
Dra. Aline Leite | Ginecologia e Medicina Reprodutiva | CRM-SP 102616 | RQE 331101
Referência: Fitzgerald O, Keller E, Lieberman D, Peate M, Kotevski D, Paul R, Rodino I, Parle A, Hammarberg K, Copp T, Chambers GM. Planned egg freezing over 15 years: return to treatment and success rates in Australia and New Zealand. Hum Reprod. 2026;00(00):1-12. doi:10.1093/humrep/deag155.

