Fale conosco pelo WhatsApp

Blastocisto de dia 7: qual a chance real de gravidez na FIV?

Blastocisto de dia 7: qual a chance real de gravidez na FIV?
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
06/11/2026

Na fertilização in vitro (FIV), os embriões crescem no laboratório por alguns dias antes da transferência. A maioria vira blastocisto no quinto ou no sexto dia. Alguns, porém, só chegam lá no sétimo. Mas será que um blastocisto de dia 7 tem chance real de gerar um bebê? Um estudo publicado em 2026 na revista Human Reproduction Update reuniu os dados disponíveis para responder a essa pergunta.

O que é um blastocisto de dia 7?

O blastocisto é o embrião com cerca de 100 a 200 células. Nessa fase, ele já tem uma cavidade cheia de líquido e dois grupos de células. Um deles forma o bebê. O outro forma a placenta.

Em geral, o embrião atinge essa fase no dia 5 (D5) ou no dia 6 (D6) após a fecundação. Já o blastocisto de dia 7 (D7) é aquele que demora um pouco mais. Por isso, muitos laboratórios encerram a cultura no D6. Outros mantêm os embriões até o D7, para não perder nenhuma chance.

O que o estudo avaliou

Pesquisadores de Paris fizeram uma revisão sistemática com metanálise. Em outras palavras, eles juntaram e analisaram em conjunto os resultados de 17 estudos anteriores. Ao todo, foram mais de 2.900 transferências de embriões congelados no D7.

Em seguida, a equipe comparou esses embriões com os de D5 e D6. Os principais resultados avaliados foram gravidez, aborto e nascimento de um bebê vivo. Além disso, o estudo observou quantos embriões eram cromossomicamente normais.

Os principais resultados

Os números mostram uma diferença clara entre os grupos. A taxa de bebê nascido vivo por transferência foi de aproximadamente:

  • 50% para embriões de dia 5;
  • 38% para embriões de dia 6;
  • 19% para o blastocisto de dia 7.

Da mesma forma, a taxa de aborto foi um pouco maior no D7 (cerca de 21%, contra 15% no D5). Os embriões de dia 7 também tiveram menor proporção de cromossomos normais: 36%, contra 55% no D5.

E se o embrião for geneticamente normal?

Muitos casais fazem o PGT-A. Esse é o teste genético que verifica se o embrião tem o número correto de cromossomos. Embriões com resultado normal são chamados de euploides.

Seria natural esperar que, com o teste normal, o dia de formação deixasse de importar. No entanto, não foi isso que o estudo mostrou. Mesmo entre embriões euploides, a taxa de nascido vivo foi de 22% no D7, contra 46% no D6 e 59% no D5. Ou seja, o tempo de desenvolvimento parece refletir outros fatores além dos cromossomos.

Então vale a pena guardar um embrião de dia 7?

A resposta depende de cada caso. A chance é menor, mas não é zero. Cerca de um em cada cinco embriões D7 transferidos resultou em um bebê.

Por isso, os autores sugerem que o blastocisto de dia 7 seja considerado em algumas situações. Por exemplo:

  • mulheres com poucos óvulos ou poucos embriões;
  • pacientes com idade mais avançada e pouco tempo para um novo ciclo;
  • tratamentos com óvulos doados;
  • pacientes que estão no último ciclo planejado;
  • pessoas que congelaram óvulos antes de um tratamento de câncer.

Por outro lado, a cultura até o sétimo dia aumenta o trabalho e o custo do laboratório. Nem todo centro oferece essa opção. Assim, vale conversar com a equipe sobre a política do laboratório antes de iniciar o tratamento.

E a saúde dos bebês?

Os dados ainda são poucos. Mesmo assim, os estudos disponíveis não mostraram diferença em parto prematuro, baixo peso ao nascer ou malformações. Os pesquisadores pedem novos estudos para confirmar esse resultado a longo prazo.

Limitações do estudo

Todos os estudos incluídos olharam para dados do passado. Além disso, cada clínica usa técnicas um pouco diferentes. Isso pode influenciar os números. Por fim, nenhum estudo calculou a chance total de ter um bebê somando todos os embriões de uma mesma paciente.

Perguntas frequentes

Embrião de dia 7 é um embrião ruim?

Não necessariamente. Ele tem, em média, menor chance de gerar uma gravidez. Mas pode resultar em um bebê saudável, principalmente quando é euploide.

O teste PGT-A resolve a diferença?

O teste ajuda a escolher embriões com cromossomos normais. Contudo, mesmo euploides, os embriões de dia 7 tiveram resultados menores que os de dia 5 e dia 6.

Devo pedir para o laboratório cultivar até o dia 7?

Essa decisão deve ser individual. Ela depende da sua idade, do número de embriões e da estrutura do laboratório. Converse com o seu médico especialista em reprodução humana.

Mensagem final

Em resumo, o blastocisto de dia 7 tem uma chance menor de gravidez, mas ainda real. Para quem tem poucos embriões, ele pode representar uma oportunidade a mais. O mais importante é entender os números e decidir junto com a equipe médica, com expectativas realistas.

Se você está planejando uma FIV e quer entender as suas opções, agende uma consulta.

Referência: Firmin J, Ducreux B, Saidessalam H, et al. Clinical outcomes of Day-7 blastocysts: a systematic review and meta-analysis. Human Reproduction Update. 2026;32(6):717–734. doi:10.1093/humupd/dmag017. Conteúdo informativo; não substitui uma consulta médica. Dra. Aline Leite Nogueira — CRM-SP 102616 | RQE 331101.