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Duplo Trigger em Hiper Respondedoras

Duplo Trigger em Hiper Respondedoras
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
18/09/2026

Se você está em tratamento de fertilização in vitro (FIV), já deve ter ouvido falar em “trigger”. Uma nova meta-análise, publicada em 2026, comparou duas formas de aplicar essa etapa: o dual trigger e o trigger isolado. O estudo focou em mulheres que costumam responder muito à estimulação dos ovários, comparando trigger apenas com agonistas de GnRH ou duplo trigger (neste caso, agonista de GnRH associado a baixa dose de hCG). Vamos ver o que ele encontrou, com calma e sem termos complicados.

O que é o “trigger” na FIV?

Durante a estimulação ovariana, vários folículos crescem ao mesmo tempo. No fim desse processo, você recebe uma injeção chamada trigger. Ela faz os óvulos completarem a maturação. A coleta acontece cerca de 34-36h depois.

Existem duas formas principais de aplicar o trigger. Pode usar o hCG ou o agonista de GnRH.

E o que é o “dual trigger”?

O dual trigger combina as duas opções: o agonista de GnRH junto com o hCG. A ideia é aproveitar o benefício de ambos.

Quem são as “altas respondedoras” e o que é a hiperestimulação?

Altas respondedoras são mulheres cujos ovários produzem muitos óvulos durante a estimulação, mais de 20. Isso acontece em cerca de 7% dos ciclos de FIV. É mais comum em mulheres mais jovens ou com síndrome dos ovários policísticos.

Quanto mais os ovários respondem, maior a chance da síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO). Na maioria das vezes, ela é leve e passa sem tratamento. As formas moderada e grave são mais raras e graves e podem trazer complicações sérias: acúmulo de líquido, alteração da função dos rins e formação de coágulos. Por isso, nas altas respondedoras, a escolha do trigger recebe atenção especial.

O que a pesquisa avaliou

Pesquisadores reuniram 14 estudos. Ao todo, 4.427 mulheres com alta resposta à estimulação participaram. Eles compararam o dual trigger (GnRH-a associado a baixa dose de hCG) com o trigger isolado de GnRH-a. Esse tipo de trabalho, que junta e analisa vários estudos, chama-se metanálise.

O que eles encontraram

  • Maturação dos óvulos: os dois triggers não mostraram diferença na proporção de óvulos maduros.
  • Hiperestimulação: a SHO moderada ou grave apareceu com mais frequência no grupo do dual trigger. Em termos relativos, a chance foi cerca de quatro vezes maior. O aumento também apareceu com doses baixas de hCG, de 1.000 UI ou menos.
  • Outros resultados: número de óvulos coletados, qualidade dos embriões e fertilização não mostraram diferença entre os grupos. O mesmo valeu para gestação clínica, aborto e nascimento de bebês vivos.
  • Transferência de embriões a fresco: nesse grupo específico, a taxa de gestação clínica foi maior com o dual trigger. Esse achado veio de apenas quatro estudos. Ainda faltam dados sobre nascimentos para confirmar se ele se traduz em mais bebês nascidos.

O que isso significa para você?

Esse estudo mostra que, no conjunto dos dados atuais, o dual trigger não trouxe vantagem clara na maturação dos óvulos para mulheres hiperrespondedoras. Também não trouxe vantagem nos resultados reprodutivos gerais. Além disso, houve mais casos de hiperestimulação.

Nos casos de maior risco, médicos costumam considerar congelar os embriões e transferi-los depois, em um ciclo posterior.

A escolha do trigger é individual. Converse com o seu médico: ele conhece o seu histórico, a sua resposta aos medicamentos e os seus exames. Se você tem dúvidas sobre o seu protocolo, leve-as para a próxima consulta.

Quer conversar sobre o seu caso? Agende uma consulta.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação médica individualizada.

Dra. Aline Leite | Ginecologia e Medicina Reprodutiva | CRM-SP 102616 | RQE 331101

Referência: Li Z, Shi X, Lin X, Wang J, Jin L. Dual trigger with GnRH agonist and low-dose hCG versus GnRH agonist alone in predicted high responders using antagonist protocol: a systematic review and meta-analysis. J Ovarian Res. 2026 (Article in Press). doi:10.1186/s13048-026-02249-w.