Quem tem endometriose e tenta engravidar costuma ouvir uma dúvida importante: começar pela cirurgia ou pela FIV? Até pouco tempo, essa decisão se baseava sobretudo em estudos antigos e na experiência de cada serviço. Agora, um estudo italiano publicado em outubro de 2026 no American Journal of Obstetrics & Gynecology trouxe novos dados sobre cirurgia ou FIV na endometriose. Neste artigo, explico o que os pesquisadores encontraram e o que isso significa para você.
Primeiro, de que tipo de endometriose estamos falando?
A endometriose acontece quando um tecido parecido com o endométrio cresce fora do útero. Ela pode causar dor e dificultar a gravidez. O estudo avaliou duas formas mais avançadas da doença:
- Endometrioma: um cisto no ovário formado pela endometriose. Às vezes é chamado de “cisto de chocolate”.
- Endometriose profunda: lesões que penetram mais fundo nos tecidos da pelve, como intestino, bexiga ou ligamentos atrás do útero.
Hoje, um ultrassom especializado consegue identificar essas formas da doença com boa precisão. Por isso, a cirurgia não é mais obrigatória apenas para fazer o diagnóstico.
Como o estudo foi feito
Pesquisadores de três hospitais de referência em Milão, na Itália, acompanharam mulheres que tentavam engravidar havia mais de um ano. Todas tinham endometrioma ou endometriose profunda vistos no ultrassom. Nenhuma havia passado antes por cirurgia de endometriose ou por FIV.
Parte das participantes foi sorteada para um de dois caminhos:
- Cirurgia para retirar a endometriose, seguida de tentativas de gravidez natural.
- FIV (fertilização in vitro), com até três tentativas.
Outras mulheres preferiram escolher o próprio tratamento. Os pesquisadores também acompanharam esse grupo. Em seguida, compararam quantas mulheres tiveram um bebê nascido vivo em até 12 meses.
O que os resultados mostraram
Nos dois grupos, quem começou pela FIV teve aproximadamente o dobro de chance de ter um bebê em um ano, em comparação com quem começou pela cirurgia. Esse resultado apareceu tanto entre as mulheres sorteadas quanto entre as que escolheram o tratamento.
Em uma análise preliminar apresentada em 2025, cerca de 46% das mulheres do grupo FIV tiveram bebê nesse período, contra 23% no grupo da cirurgia. Esses números servem como referência, mas cada caso tem sua própria chance.
Cirurgia ou FIV na endometriose: o estudo encerra a questão?
Ainda não. O estudo traz informações valiosas, mas tem limites que precisam ser considerados:
- O grupo sorteado foi pequeno, porque muitas mulheres preferiram escolher o tratamento.
- O acompanhamento durou só 12 meses. Ou seja, o estudo não mostra o que acontece depois desse prazo.
- O foco foi a gravidez. Por isso, ele não avaliou o alívio da dor, que é um motivo frequente para operar.
Além disso, a cirurgia continua indicada em várias situações. Por exemplo, quando a dor é intensa e não melhora com remédios, quando há dúvida sobre a natureza de um cisto ou quando a doença compromete o intestino ou os rins.
O que isso significa para você
Se você tem endometriose e deseja engravidar, este estudo reforça que a FIV pode ser uma boa primeira opção em muitos casos. Mesmo assim, não existe uma resposta única. A escolha entre cirurgia ou FIV na endometriose depende de vários fatores:
- sua idade;
- sua reserva ovariana (quantidade de óvulos);
- a intensidade da dor;
- a localização e o tamanho das lesões;
- a saúde reprodutiva do parceiro, quando houver;
- suas preferências e seus planos.
Por isso, o primeiro passo é uma avaliação completa com um especialista em reprodução assistida. Juntos, vocês podem decidir o caminho mais adequado para a sua história.
Quer conversar sobre o seu caso? Agende sua consulta, presencial ou por telemedicina.
Referência: Benaglia L, et al. IVF versus surgery for infertility in women with deep and ovarian endometriosis: a partially randomized patient preference trial. Am J Obstet Gynecol. 2026. doi: 10.1016/j.ajog.2026.10.024. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

